O CAMINHO DO PT É A DEFESA DA DEMOCRACIA E DO PROGRAMA ELEITO EM 2014
Proposta
de Resolução apresentada na reunião da Executiva Nacional do PT pelas
seguintes correntes internas do PT: Articulação de Esquerda, Avante,
Mensagem ao Partido, Militância Socialista e Socialismo 21
O CAMINHO DO PT É A DEFESA DA DEMOCRACIA E DO PROGRAMA ELEITO EM 2014
Vivemos
um momento decisivo na história do Brasil que exige uma firme posição
do Partido dos Trabalhadores em defesa da democracia, do mandato popular
da presidenta Dilma e por uma nova política econômica.
A
presidenta Dilma foi eleita pelo povo brasileiro para cumprir um
programa a favor do desenvolvimento, da democracia, da soberania
nacional, da distribuição de renda e das reformas estruturais populares.
A
opção do governo por um ajuste recessivo é contraditória com este
programa que o povo escolheu em outubro de 2014, cuja implementação é o
melhor caminho para defender as liberdades democráticas e enfrentar o
golpismo. Para defender a democracia é preciso outra política econômica.
Como
vimos na investida da oposição de direita no Congresso Nacional pelo
impeachment no dia 15 de setembro, na chantagem dos meios de comunicação
e do grande capital, há na direita os que defendem publicamente
soluções golpistas, falam em volta dos militares e atentam contra sedes e
dirigentes da esquerda. As tentativas de golpe parlamentar ou judicial
em marcha exigem a mobilização do PT e das forças democráticas. Essa
ofensiva golpista terá o repúdio da democracia brasileira.
Há
também os que diuturnamente investem, através de mobilizações de rua e
do inconstitucional oligopólio da mídia vitaminado por verbas públicas,
na desmoralização das esquerdas e do governo junto a amplas camadas do
povo.
Há,
finalmente, os que utilizam sua presença nos diferentes níveis do
aparato de Estado (judiciário, ministério público, polícias, legislativo
e executivo) para sabotar ou até mesmo tentar impedir nosso governo,
desmoralizar e inviabilizar política e legalmente a esquerda.
O
Partido dos Trabalhadores cerra fileiras em defesa do mandato da
presidenta Dilma Rousseff e do programa eleito em outubro de 2014. Ao
mesmo tempo, proclama com clareza: basta de golpismo, basta de
concessões neoliberais!
Para
defender nosso governo das variadas formas de golpismo, para proteger
as liberdades democráticas, para preservar a esquerda e os movimentos
sociais, uma condição incontornável é reatar os compromissos com os
setores democrático-populares que foram fundamentais para eleger Dilma
presidenta no segundo turno das eleições presidenciais.
E
para reatar estes compromissos, é necessário mudar a política
econômica, deter e reverter a recessão, gerar empregos e recompor
salários.
Nesse
sentido, o Partido dos Trabalhadores considera que o conjunto de
medidas anunciadas no último dia 14 de setembro, inclusive o propósito
de enfrentar o déficit e cumprir o superávit primário, não constitui uma
resposta adequada aos reais problemas nacionais.
Essas
medidas afetam a remuneração dos servidores, os concursos públicos, o
PAC, o Minha Casa Minha Vida, o PRONATEC, as obras de infraestrutura, o
orçamento da saúde, as garantias dos preços agrícolas e a Previdência.
Ao
mesmo tempo, somos a favor da ampliação de novas receitas para o
Sistema Único de Saúde e não compactuamos com a falsa avaliação de uma
“crise da Previdência”. A previdência pública tem como se manter e
expandir com a retomada do crescimento e da geração de empregos formais.
Além disso, o PT sempre foi a favor de um sistema tributário mais
justo, de modo que os detentores de grandes riquezas e rendas contribuam
proporcionalmente mais.
A
política econômica que o PT defende é a do crescimento econômico, com
distribuição de renda e de riqueza. Crescimento exige ampliar - e não
cortar - os investimentos públicos e sociais. Mesmo o aumento de
impostos e a busca por novas receitas devem estar associados a este
objetivo maior: retomar o crescimento com distribuição de renda e
riqueza.
Do
ponto de vista emergencial, isto supõe reduzir a taxa de juros, alongar
o pagamento da dívida pública, controlar o câmbio, tributar as grandes
fortunas e heranças, dividendos, remessas de lucros e combater a
sonegação.
No
médio prazo, inclui a realização das reformas estruturais defendidas
pela Frente Brasil Popular: reforma do Estado, reforma política, reforma
do poder judiciário, reforma na segurança pública com desmilitarização
das Polícias Militares, democratização dos meios de comunicação e da
cultura, reforma urbana, reforma agrária, consolidação e universalização
do Sistema Único de Saúde, reforma educacional e reforma tributária.
A
agenda de que o país necessita é composta ainda de medidas como a
Constituinte exclusiva e soberana do sistema político, o enfrentamento
aos oligopólios financeiro e empresariais que controlam a economia
nacional, o controle público sobre o Pré-Sal e seus recursos para
educação e saúde contra as tentativas atuais de destruir a Lei da
Partilha e a política de conteúdo nacional e combater a corrupção e
suas raízes de maneira não-seletiva, incluindo o veto presidencial ao
financiamento empresarial das campanhas eleitorais. De igual modo,
conclamamos a finalização do julgamento da ação de inconstitucionalidade
no STF sobre o tema, bem como repudiamos a manifestação abusiva e
antidemocrática do ministro Gilmar Mendes, revelando sua
incompatibilidade com o cargo que exerce.
Como
sempre, os setores populares não podem ter nenhuma ilusão na postura da
classe dominante, de seus políticos e de seus meios de comunicação.
Apesar
das divergências também presentes entre eles, as diferentes frações da
classe dominante, seus órgãos de comunicação e seus representantes
políticos compartilham três objetivos estratégicos: a) realinhar
plenamente o Brasil com os interesses do imperialismo, b) reduzir os
direitos econômicos, sociais e políticos da classe trabalhadora, c)
encerrar o ciclo de governos da esquerda.
Por
isto, mais do que nunca, as classes trabalhadoras, os setores populares
e democráticos devem confiar em suas próprias forças. Motivo pelo qual
saudamos a criação da Frente Brasil Popular e conclamamos a militância
petista a participar ativamente de sua organização em todo o país e da
mobilização nacional por ela organizada no dia 3 de outubro em defesa da
democracia, de uma nova política econômica e dos direitos do povo
brasileiro sobre o petróleo.
O
Partido dos Trabalhadores defende, pública e claramente, outro caminho
para enfrentar a crise. Por isto, convocaremos nos próximos dias uma
reunião do Diretório Nacional do PT que reposicione nosso partido contra
a ofensiva conservadora e trace uma estratégia de defesa e reorientação
do partido, inclusive com a realização de plenárias municipais e
estaduais de mobilização e o debate sobre a realização de um Encontro
nacional extraordinário.
A
presidenta Dilma contará com o forte apoio da nossa direção e
militância no cumprimento do mandato e do programa que as urnas lhe
concederam em outubro de 2014, bem como na defesa da democracia e de uma
nova política econômica.
São Paulo, 17 de setembro de 2015
Assinam: Articulação de Esquerda, Avante, Mensagem ao Partido, Militância Socialista e Socialismo 21
Assinam: Articulação de Esquerda, Avante, Mensagem ao Partido, Militância Socialista e Socialismo 21
O CAMINHO DO PT É A DEFESA DA DEMOCRACIA E DO PROGRAMA ELEITO EM 2014
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