O que fazer diante do agora?
Por Elen Coutinho/BA
O que fazer diante
do fascismo que assola o Brasil, diante desse tempo de pós-verdade, do
aprofundamento do neoliberalismo, do encarceramento em massa e do extermínio da
juventude negra? O que fazer diante da vitória eleitoral do projeto que retira
direitos dos trabalhadores e empobrece a população do país?
O PT é
imprescindível na difícil tarefa de dar resposta a essas perguntas. Nosso
partido é a referência nacional para a maioria das pessoas que se orientam pela
busca de igualdade e justiça social. O combate que a burguesia nacional e
internacional engendra contra Lula e o PT é o reconhecimento da força política
inegável e do simbolismo que carregamos. E nesse momento histórico nós
precisamos apresentar ao PT uma alternativa saudável, uma renovação política
capaz de ajudar a organizar o partido para a luta política que enfrentaremos.
Na direção do PT,
mais do que em qualquer outro momento, precisamos reassumir nossos compromissos
com a democracia interna, com o fortalecimento das instâncias, com a transparência
nas finanças, e com o constante diálogo com a base do partido. Aqui na Bahia, o
balanço interno é que o saldo organizativo da direção partidária dos últimos
seis anos é negativo e esse é um diálogo fraterno para ser feito nos espaços
internos da nossa militância. É preciso corrigir os rumos, ajustar as nossas
velas.
A renovação
política que defendemos é sobre forma e conteúdo, supera o debate geracional.
Sobre forma de conduzir as instâncias, de se relacionar com os movimentos
sociais e a sociedade. No conteúdo programático. É sobre como o PT vai lidar
com o aprofundamento das políticas neoliberais, como o PT se organiza diante do
fascismo, como a identidade e a luta de classes criam um novo horizonte
histórico.
É preciso ouvir a
sociedade, especialmente os mais pobres, e se atualizar a partir disso. O PT
precisa voltar para sua base social. Tem um laço que precisa ser revitalizado e
fortalecido nas periferias e isso não será feito por uma direção partidária que
não trate isso como uma prioridade. Precisamos falar em radicalização da
democracia, sabendo que se trata antes de tudo, de promover cidadania aos que
estão excluídos e marginalizados.
O PT não pode
tergiversar em defender a democracia, a justiça, a liberdade e a vida. Isso é
fundamental pra gente sair desse ciclo degradante em que parte da população
assumiu um discurso de ódio que não combina com o povo brasileiro.
A violência que
estrutura nossa sociedade não pode seguir sendo a política pública reservada
para os mais pobres. A intenção é reiniciar o nosso processo civilizatório.
Processo este que nesse país está diretamente ligado a transição agroecológica
como um motor de crescimento inclusivo. O PT apresentou esse projeto a
sociedade brasileira, e agora é fundamental que ele seja compreendido por cada
militante de nossa base. Há caminhos para superar a crise ambiental, criando
oportunidades para dar qualidade de vida ao povo brasileiro. Investir em
agroecologia e na mudança da estrutura produtiva é o que vai garantir um futuro
moderno e sustentável com aumento de renda, inclusão social e segurança
alimentar para a nossa população.
O nosso caminho é
o do diálogo com o povo, é o da educação libertadora e da formação política
cidadã. O nosso projeto é de vida e não de morte. É um projeto de esperança e
não de ódio. É um projeto de um país justo e soberano e não de uma colônia
americana. Nesse projeto não cabe um dia de silêncio na defesa da liberdade de
Lula e no combate aos ataques ao povo brasileiro promovidos pelo governo
Bolsonaro.
“Carregamos no
peito, cada um, batalhas incontáveis.
Somos a perigosa
memória das lutas.
Projetamos a
perigosa imagem do sonho.
Nada causa mais
horror à ordem
do que homens e
mulheres que sonham.
Nós sonhamos. E
organizamos o sonho.” (Os filhos da paixão – Pedro Tierra)
O que fazer diante do agora?
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